Regina Melim indica três obras que chamaram a atenção nos últimos tempos e que estão disponíveis na LIVRARIA, nova microlivraria em Florianópolis

A vulva é uma ferida aberta & outros ensaios, de Gloria Anzáldua e tradução de tatiana nascimento (assim mesmo, em caixa baixa), publicado pela A Bolha editora, que traz um compilado de textos sobre estudos feminista inclusivo e multicultural, a maioria nunca traduzidos para o português. E já adianto aqui que estaremos lançando no próximo sábado, a partir das 14hs, com a presença de Debora Pazetto que vai falar um pouco sobre a importância do pensamento da Gloria Anzáldua para pensar questões mais densas sobre o feminismo nos dias atuais. 

No dia 9 de outubro, a LIVRARIA promoverá, a partir das 16h, o lançamento do livro de Gloria Anzáldua. O encontro terá presença de Debora Pazetto, que vai falar sobre a importância do pensamento de Gloria para pensarmos sobre questões mais densas sobre o feminismo nos dias atuais. Debora Pazetto é professora de histórias e teorias das artes na UDESC e coordenadora do GUARÁ, Grupo de Pesquisas Descoloniais em Arte Contemporânea. Junto a esse grupo, desenvolve processos artísticos-teóricos a partir dos feminismos queer e pensamentos descoloniais latino-americanos. 

Correntes, de Olga Tokarczuk, tradução de Olga Baginska-Shizato, publicado pela editora Todavia é um romance eletrizante que trata do nomadismo nos tempos atuais. Além disso, o aparente caráter fragmentário dessa auto-ficção, narrada em 116 pequenos capítulos-fragmentos, revela uma total concatenação entre os mesmos.  É um livro que solicita um leitor atento, para não dizer, ativo, uma vez que são inúmeras as passagens onde ela faz o corte de um fragmento para o outro exatamente quando este chega em seu clímax. Mais adiante ele surge, ganha novos contornos e cortes, sempre numa leitura que narra contínuos deslocamentos por avião, trem, ônibus e balsas.  

Arquivo das crianças perdidas, de Valeria Luiselli e tradução de Renato Marques, publicado pela Alfaguarra, é também uma auto-fiçção e que trata de uma maneira habilidosa os processos migratórios de crianças entre os países da América Central e México rumo aos Estados Unidos. É, acima de tudo, um livro sobre a escuta, que deriva de uma história pessoal da própria Valeria Luiselli, relatada em Los niños perdidos (sem tradução no Brasil), onde a autora de nacionalidade mexicana radicada em Nova York conta sobre a sua experiência como tradutora voluntária na Corte Federal de Imigração. No romance Arquivo das crianças perdidas, Valeria Luiselli narra essa experiência através de uma viagem de carro de Nova York para o Arizona, de um casal e seus dois filhos pequenos. 

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