“Lembranças Vazias: Uma Jornada Artística pelos Rastros da Fotografia” pode ser conferida no bar Vodu

“Lembranças Vazias”, um ensaio visual criado pelo fotojornalista Diorgenes Pandini, está em cartaz no bar Vodu, na rua Victor Meirelles. A exposição leva os espectadores por uma jornada inusitada através do mundo da fotografia e tem curadoria da artista e pesquisadora em fotografia, Lucila Horn, do Núcleo de Fotografia e Arte. As obras poderão ser visitada até dia 20 de dezembro, no horário de funcionamento do bar.

Para a curadora, Lucila Horn, “a poética de Diorgenes Pandini nos faz pensar sobre o modo como as imagens circulam e o uso que se faz delas. O autor se afasta do ato de fotografar como o ponto de autoria, para focar no processo de edição como a função onde o autor se faz ainda mais presente e coloca sua experiência em obra.”

O ensaio visual Lembranças Vazias surge de um estranhamento que Pandini lançou sobre seu próprio acervo fotográfico, acumulado ao longo de uma década como fotojornalista. Nessa busca por singularidades, o fotojornalista mergulhou em imagens de “testes” de iluminação, erros esquecidos e momentos descartados, num universo de acervo com cerca de 40 mil fotografias.

Os “Seres de Luz”

A essência do ensaio reside nos “seres de luz”, uma tentativa de reconstruir memórias esquecidas e dar vida ao vazio muitas vezes negligenciado nas imagens descartadas. Mesmo diante de ambientes diversos e motivos variados, as fotografias selecionadas evocam uma constante sensação de desvanecimento iminente.

O ensaio foi guiado por um procedimento artístico inspirado na poética do acaso, com a apropriação de elementos previamente organizados para propósitos distintos dos originais. A obra, marcada pela abertura à interpretação, é um convite aos espectadores para explorarem significados além da função factual das imagens.

Diorgenes resgatou imagens abandonadas no acervo, trabalhando dentro das possibilidades que a manipulação digital permitiu. A “pensatividade da imagem”, conceito proposto por Ranciere, foi crucial para compreender o papel ambíguo dessas fotografias, resultando em uma fusão única de captação documental, poesia e ressignificação.

A exposição faz eco às ideias de filósofos como George Didi-Huberman e Walter Benjamin, incorporando conceitos como a capacidade de lirismo da fotografia e o papel do trapeiro na inversão de valores. A exposição propõe uma reflexão sobre a impermanência das imagens na era digital, com uma abordagem que se assemelha à “arte de deletar arquivos”, conforme citado pela artista Edith Derdyk.

“Lembranças vazias” não é apenas uma coleção de imagens, mas uma narrativa visual que convida os espectadores a se perderem nos caminhos de encruzilhadas, encontrando desvios que foram ressignificados pelo tempo e pelo olhar aguçado do autor.

Acompanhe pelo @diorgenespandini