Textos tecem críticas a padrões naturalizados de beleza e juventude

Em “Um corpo que goza não envelhece” (editora Infinita Leitura, 85 páginas), a escritora e historiadora catarinense Marlene de Fáveri provoca a sociedade a repensar papéis pré estabelecidos. Ela propõe reflexões sobre a necessidade urgente da quebra de paradigmas a respeito do corpo e envelhecimento, além do direito ao prazer das mulheres em todas as fases da vida. O lançamento ocorreu nesta quinta-feira (30), durante o I Festival Literário da Universidade Federal de Santa Catarina.

O livro tem a concepção de capa assinada pela da artista visual Meg Roussenq. Os textos, em forma de poesia, prosa, diálogos e depoimentos tecem críticas a padrões naturalizados de beleza, juventude, corpo perfeito sem rugas, estrias, marcas da idade e chama as mulheres para olharem-se como sujeitos dos direitos. Para permitirem-se viver com alegria o tempo que vem pela frente sem medo ou vergonha.

O machismo é estrutural, não está só numa relação ou pessoa, está na cultura, nas relações sociais e se reproduz de diversas formas, sendo uma delas a desigualdade de oportunidades e direitos”, comenta a autora. “Equidade é fundamental na sociedade porque preza pela igualdade de oportunidades para todas as pessoas e para a não discriminação. Sendo assim, o debate é por equidade de gênero, sejam as mulheres de qualquer etnia, geração, classe, raça, elas merecem oportunidades iguais e valorização como sujeitos dos direitos.”

 Já na apresentação de “Um corpo que goza não envelhece”, Marlene aponta que “nossa cultura é misoginovelhofóbica e etarista”. Portanto, “desqualifica e aprisiona em padrões que não aprovam os corpos maduros e velhos com beleza, sexualidade, sensualidade, felicidade, autonomia e liberdade.” Para a escritora, “a educação feminina, por séculos, cobrou das mulheres fragilidade, submissão, dependência, delicadeza, fidelidade, especialmente a sexual, dedicação no cuidado com os outros e pouco, ou nada, de si.” 

Como resultado dessas distorções culturais por séculos, as mulheres foram condenadas a ter vergonha do próprio corpo e, por consequência, à deserotização. A escritora entende que a cultura hegemônica pautou discursos para aprisionar a sexualidade e a sensualidade das mulheres. Ela diz: “As que viveram mais de meio século são condenadas ainda à invisibilidade e ignoram seus desejos e suas fomes frêmitas, pondo-as nas argolas do desdesejo”.

A autora conduz sua escrita em versos entrelaçando vivências, observações e alguns depoimentos sobre a experiência de amadurecer. E, por conseguinte, “envelhecer num tempo que, se ainda imperam ditaduras do corpo perfeito e da juventude, está acontecendo uma outra revolução, a da boa velhice”, finaliza.

A obra estará à venda na @latinas.livraria